Por meio da Arte, professor de Belém (PA) desenvolve, com os estudantes, projetos contínuos de educação antirracista

Marcelo Pedroso estimula estudantes do Ensino Fundamental, Ensino Médio e Educação de Jovens e Adultos a se expressarem artisticamente contra os preconceitos raciais

A educação antirracista não deve ser pensada de forma isolada. A integração do tema com os componentes curriculares é benéfica para o desenvolvimento de diversos projetos que podem até mesmo ir além da escola. Um exemplo dessa junção acontece por meio do professor Marcelo Pedroso, de Belém (PA), que associa arte à projetos de educação antirracista e desenvolve atividades que estimulam a reflexão e a expressão artística dos estudantes sobre as relações étnico-raciais.

O educador leciona nas escolas estaduais Augusto Olímpio e Domingos Acatauassu Nunes, nas etapas do Ensino Fundamental, Ensino Médio e EJA – Educação para jovens e adultos.

Imagem sem texto. Foto do professor Marcelo Pedroso.“Dentre as abordagens que eu elaboro em sala de aula, está a conscientização por meio da decolonialidade, desenvolvendo temáticas voltadas para as questões relativas à consciência negra. A ideia do meu projeto é trabalhar a decolonialidade, bem como as artes, trazendo nomes de artistas e intelectuais que, de alguma forma, contribuem para a igualdade racial com livros, textos, ou mesmo dando como exemplo as suas próprias vidas na luta por dignidade e fé no futuro, como os nomes de Conceição Evaristo, Carolina de Jesus, Basquiat, dentre outros.”

Os projetos são realizados para além de novembro, mês comemorativo da Consciência Negra. O professor Marcelo acredita que trazer essa reflexão ao longo do ano pode contribuir para romper preconceitos.

Os estudantes desenvolvem pinturas, poesias, textos dissertativos e trabalhos artísticos diversos, inclusive nos muros da escola, expandindo a visão do trabalho para o entorno. As atividades despertam interesse e o resultado pode ser visto nos desenhos que refletem tanto a visão individual quanto coletiva sobre o tema.

Imagem sem texto. Uma estudante com camiseta amarela pintando o mural da escola. Professor Marcelo associa arte à projetos de educação antirracista.
Estudantes do professor Marcelo Pedroso pintam muro da escola em Belém (PA).
Imagem sem texto. Mural finalizado pelos estudantes. Professor Marcelo associa arte à projetos de educação antirracista.
Mural finalizado pelos estudantes. Professor Marcelo associa arte à projetos de educação antirracista.

Como essa prática pedagógica pode inspirar outros professores?

O formador do iungo Jefferson Meneses também fala sobre os benefícios de unir a arte aos debates sobre raça, opressões, cultura afro-brasileira e indígena.

Imagem sem texto. Foto do formador do iungo Jefferson Meneses.“Incentivar a expressão artística é uma forma poderosa de abordar a diversidade cultural e racial nas escolas. A arte permite que os estudantes explorem e expressem suas identidades, histórias, experiências de vida e memórias de maneiras únicas e envolventes. No âmbito do desenvolvimento cognitivo, as práticas permitem aprofundar conhecimentos sobre as artes, a cultura, os territórios, as mídias e as ciências aplicadas. Saber como utilizá-las para a produção de processos e produtos criativos é algo que a Base Nacional Comum Curricular (BNCC) () traz com muita potência. A escolha de artistas afro-brasileiros e indígenas visa dar visibilidade à contribuição dessas populações minorizadas para a formação social brasileira e convida os educadores e educadoras a refletirem sobre múltiplas experiências e práticas sob uma perspectiva racializada.”

Programa Itinerários Amazônicos e a valorização de temas regionais

Nas atividades feitas com os estudantes, o professor Marcelo contou com o apoio do material pedagógico do programa Itinerários Amazônicos para inserir temas regionais e a realidade local no projeto. Assim, o Mercado do Ver-o-Peso, a cultura ribeirinha, o carimbó, a capoeira, a culinária e outros aspectos do cenário paraense estão presentes nas criações em sala de aula. O educador destaca que, além da questão racial e defesa pela igualdade, é proposto o desenvolvimento sustentável com foco na região e também na natureza.

O programa Itinerários Amazônicos é uma realização conjunta do Instituto iungo, da rede Uma Concertação pela Amazônia e do Instituto Reúna, em parceria e com investimentos do BNDES, Fundo de Sustentabilidade Hydro, Instituto Arapyaú, Movimento Bem Maior e patrocínio da Vale. Conheça a iniciativa no site itinerariosamazonicos.org.br.

O Instituto iungo publica, todos os meses, conteúdos relacionados à educação para as relações étnico-raciais. Acesse o Instagram e busque pela hashtag #ConscienteOAnoInteiro!