Onde os caminhos se encontram: uma história sobre parceria, território e educação

Parceria com o Fundo Hydro fortalece o Itinerários Amazônicos ao conectar educação, território e desenvolvimento na Amazônia

Em Barcarena, no Pará, a tarde do dia 24 de março foi dedicada a uma pergunta que não se responde sozinha: como a educação pode, de fato, transformar o território e ampliar oportunidades para quem vive nele. Com a participação do iungo, o Encontro de Parceiros do Fundo Hydro reuniu iniciativas diversas, do turismo ao protagonismo juvenil, da produção agrícola familiar à formação educacional. Conectadas por um mesmo propósito — fortalecer o desenvolvimento local a partir de diferentes frentes —, as organizações participantes integraram debates sobre a importância da articulação multissetorial para alcançar resultados duradouros.

Foto: Hydro no Brasil

Esse encontro é muito importante porque promove conexões entre os projetos e iniciativas apoiados pelo Fundo Hydro e faz o conhecimento circular. Foi um dia de muitas vivências impactantes, com iniciativas muito diversas que contribuem para o desenvolvimento sustentável do território”, destaca Renata Alencar, liderança de formação do Instituto iungo.

Na roda de conversa “Educação como Transformação do Território”, essas conexões ganharam forma a partir do diálogo entre diferentes perspectivas. Participaram Sidney Gil, do SENAI Barcarena, representando a Rede Todos pelo Trabalho; Alexandre Diniz, do Instituto Salvaterra, com o projeto de formação de jovens líderes ambientais; e Renata Alencar, que apresentou o Programa Itinerários  Amazônicos.

A conversa evidenciou algo em comum entre as iniciativas: a educação como eixo estruturante de transformação do território — não como conceito, mas como prática concreta, construída no dia a dia. A partir daí, duas perguntas passaram a orientar o diálogo. E, nas respostas, começaram a se revelar não apenas experiências, mas caminhos possíveis.

Como as iniciativas de educação contribuem, na prática, para transformar o território e ampliar oportunidades?

No caso do Programa Itinerários Amazônicos, essa transformação parte da premissa de que a  educação transformadora constrói a partir do território. “O Itinerários Amazônicos é um programa que leva o território para dentro dos currículos, considerando suas singularidades. É uma proposta que se realiza nas necessidades e nos desejos de cada contexto”, explica Renata.  Isso significa reconhecer saberes locais, incorporar as dimensões socioambientais da Amazônia e construir práticas pedagógicas que conectem escola, vida, presente e futuro. É assim que o impacto se materializa.

Lançado em 2023, o Itinerários Amazônicos atua junto a sete redes públicas de ensino da Amazônia Legal. Iniciado no Ensino Médio e ampliado, em 2024, para os Anos Finais do Ensino Fundamental, o programa combina assessoria técnica, produção colaborativa de materiais pedagógicos e formação docente, conectando educação, sustentabilidade e realidades locais.

Com o Fundo de Sustentabilidade Hydro entre os parceiros estratégicos desde 2023, o programa vem se consolidando em escala e relevância. Apenas em 2025, foram realizadas 256 ações formativas, mobilizando diretamente mais de 20 mil educadores e impactando indiretamente, aproximadamente, 1,1 milhão de estudantes. No Pará, a parceria com a Secretaria de Estado de Educação se expressa também na implementação do componente curricular “Educação para o Meio Ambiente, Sustentabilidade e Clima”, fortalecendo a conexão entre política pública, formação docente e contexto local.

Mas o impacto não se resume aos números. Ele se revela na forma como o programa atravessa o cotidiano das escolas, mobiliza professores e sustenta práticas. Em Santarém (PA), o professor de Biologia e Educação Ambiental Erinaldo Silva encontrou nos cadernos do componente uma oportunidade de conectar saberes tradicionais e ciência no cotidiano das aulas. Inspirado pelo conteúdo “Guardiões da biodiversidade”, desenvolveu com as turmas do Ensino Médio o projeto Biodiversidade amazônica em forma de lenda, integrando folclore e conceitos da Biologia para discutir preservação e território:

“No caderno de Educação Ambiental, na unidade sobre os guardiões da biodiversidade, surgiu a ideia de trabalhar as lendas que os alunos ouviam em casa. Estudamos personagens como Iara, Boitatá, Vitória-Régia e Cobra Grande e usamos essas histórias para discutir conceitos da Biologia e a importância da preservação ambiental. Os estudantes relacionaram as narrativas aos rios, aos peixes da região e aos impactos das mudanças climáticas. Foi uma forma de unir saberes tradicionais e conhecimento científico, mostrando que as lendas ta

mbém ensinam sobre conservar a floresta e cuidar do território.”

Desse enraizamento, algo maior acontece: soluções construídas no território revelam a potência de conhecimentos que não apenas respondem a desafios locais, mas têm muito a ensinar ao mundo, especialmente diante de problemas complexos que exigem escuta, diálogo e atenção aos contextos onde a vida dos estudantes acontece.

O programa foi indicado como uma das cinco referências mundiais em educação e mudanças climáticas em relatório da UNESCO, além de ter sido finalista no Reimagine Education. Em 2024, também foi vencedor do Prêmio Mentes em Verde — iniciativa que reconhece projetos inovadores voltados à sustentabilidade e à educação ambiental — reforçando seu protagonismo na agenda climática e educacional. Já em 2025, a experiência de implementação colaborativa do Itinerários Amazônicos foi compartilhada no Equador, a convite do Ministério da Educação equatoriano e do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID).

Mais do que marcos institucionais, esses reconhecimentos evidenciam a consistência de uma atuação que se origina no território e projeta seus efeitos em escala global.

Como as articulações entre projetos educacionais podem fortalecer trajetórias formativas contínuas?

Da esquerda para a direita: Milene Maués, gerente de Parcerias do Fundo Hydro e Renata Alencar, liderança no iungo. Na sequência, representando a Diretoria de Sustentabilidade da Hydro no Brasil: Kátia Aguiar, coordenadora de Programas Socioambientais; Tatiana Mesquita, coordenadora de Diálogo e Engajamento e Marla Maia, analista de Sustentabilidade.
Foto: Acervo iungo

Ao aproximar diversas fontes de atuação – da formação técnica de professores aos projetos socioambientais – abre-se espaço para compreender o território em sua complexidade construindo trajetórias formativas mais contínuas e conectadas à vida dos estudantes. O Itinerários Amazônicos transforma esse encontro em prática pedagógica ao integrar escola e território por meio da formação continuada de professores.  

Essa forma de atuar traduz a lógica do iungo: construir junto, produzir conhecimento e estruturar caminhos que não se esgotam em ações pontuais, mas se desdobram em políticas e práticas sustentáveis. O Fundo Hydro reafirmou, em 2025, seu compromisso por meio de um investimento trianual no programa Itinerários Amazônicos,  consolidando uma relação de longo prazo que sustenta a expansão e o aprofundamento da iniciativa até 2027. Mais do que conectar projetos,o Encontro evidenciou que a educação é pilar fundamental para o desenvolvimento sustentável do país. 

O Itinerários Amazônicos é uma realização conjunta do Instituto iungo, do Instituto Reúna e da rede Uma Concertação pela Amazônia, em parceria e com investimentos do BNDES, B3 Social, Fundo de Sustentabilidade Hydro, Itaú Social, Instituto Arapyaú, Movimento Bem Maior, Porticus e patrocínio da Vale.

 

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