
Para ter qualidade, a formação continuada de professores deve considerar a relevância da soma de diferentes conhecimentos e pontos de vista. Para isso, trabalho em colaboração é fundamental. Em ações presenciais ou a distância, é assim que o Instituto iungo atua: sempre em parceria com as redes públicas de ensino.
Hoje, vamos conhecer como essa ação em conjunto, considerando as necessidades de cada território, leva a formatos inovadores de formação.
Experiência de formação no Rio Grande do Sul
Desde 2021, a Secretaria da Educação do Rio Grande do Sul (Seduc-RS) trabalha em parceria com o iungo para o aprimoramento dos profissionais da educação do estado. No primeiro semestre deste ano, a Seduc-RS e o Instituto realizaram ações formativas direcionadas a professores formadores da rede de ensino. O intuito foi prepará-los como mentores dos pares em um projeto voltado à recomposição de aprendizagem do Ensino Fundamental (6º ao 9º) e do Ensino Médio. Essa formação foi elaborada a partir de recortes específicos do programa Nosso Ensino Médio, iniciativa do iungo, do Instituto Reúna e do Itaú Educação e Trabalho.

Para ampliar o alcance e manter a qualidade das ações formativas, a sugestão foi um formato híbrido, como explica Renata Alencar, liderança do iungo. “No prédio da Seduc-RS, os professores se reuniram em um espaço já reservado para os horários de estudos e planejamento. Assim, acompanharam a formação com a equipe iungo de maneira remota, sem perder a oportunidade de interação com quem estava no local. Não faltaram embasamento teórico e atividades mão na massa”, diz.
Renata também ressalta a responsabilidade em um processo formativo híbrido, que vai muito além de uma intermediação digital. “A formação continuada, seja remota ou presencial, precisa ter qualidade. Vale também para o híbrido. Ainda que a distância, o iungo colaborou em tempo real com os professores, focado no propósito de proporcionar uma aprendizagem significativa para os participantes”, afirma.

Para Shana Aline Sitta, formadora do iungo, o formato híbrido foi uma experiência muito rica. “Quando propomos uma atividade coletiva, o objetivo é que os participantes observem os múltiplos olhares sobre o que está sendo trabalhado — e não apenas o seu olhar e o da formadora. Nessa experiência, podíamos ver e ouvir cada um e observar seu posicionamento frente aos desafios, de acordo com os seus repertórios e habilidades. Assim, os participantes iam construindo os conhecimentos baseados também no que os pares compartilhavam. Outro aspecto interessante é que acompanhamos as atividades enquanto elas estavam acontecendo. Isso permitiu intervenções nos momentos oportunos”, comenta.
Formação híbrida aprovada

Um dos formadores da Secretaria da Educação do Rio Grande do Sul (Seduc-RS), Misael Krüger Lemes, relata a grandiosidade do encontro promovido pela rede de ensino gaúcha e o iungo. Lemes pondera que, mesmo a distância, a equipe do Instituto conseguiu promover interação, reflexões coletivas e um clima de colaboração, enquanto a mediação presencial ajudava a aproximar os participantes do conteúdo proposto.
“O grupo respondeu muito bem justamente por essa combinação equilibrada entre teoria e mão na massa. O material que recebemos mostrava um grande cuidado, além de uma sequência lógica muito bem estruturada, com textos extremamente relevantes para a prática e atividades planejadas de forma dinâmica, que realmente engajaram o grupo. Sem dúvida, foi uma oportunidade de aprendizado para todos nós, tanto para os formadores participantes da formação, quanto para mim enquanto mediador. E reforçou que a proposta híbrida, quando bem planejada e executada, pode ser potente”, diz Misael.

Outra participante foi Medianeira Hartmann Naissinger, chefe da Divisão de Formação Continuada (DFC) da Seduc-RS. “A proposta de refletir sobre a nossa prática, em um diálogo aberto com os pares formadores foi muito enriquecedora, além de criativa e dinâmica”, resume.

Para Ana Sefton, articuladora do iungo, a receptividade quanto ao modelo de formação proposto foi bem recebida. “Tivemos abertura desde a apresentação da proposta aos gestores educacionais, até o alinhamento entre os formadores da rede de ensino, que mediaram os momentos formativos presenciais, e as formadoras do iungo, responsáveis pelas ações formativas remotas. Além disso, a produção do material formativo de apoio aos formadores presenciais contribuiu para uma experiência de alta qualidade, fundamentação e aplicabilidade, atendendo à necessidade da rede pública de ensino e em diálogo constante. Foi um sucesso e já estamos planejando as próximas”, afirma.
O contexto de Roraima na formação continuada
Desde 2023, o Instituto iungo é parceiro da Secretaria de Estado de Educação e Desporto de Roraima (Seed-RR) na promoção de formações continuadas para os profissionais da educação, com foco na etapa do Ensino Médio. Segundo Jefferson Meneses, formador do iungo, um dos principais desafios enfrentados ali está relacionado ao acesso à internet, especialmente no interior. “Essa limitação tem impacto direto na participação dos educadores nas formações on-line e no uso de recursos digitais no cotidiano escolar. Para enfrentar esse desafio e garantir a efetividade das ações, o iungo tem colaborado com a Secretaria de Educação e o Centro Estadual de Formação dos Profissionais da Educação de Roraima (CEFORR) na criação de estratégias que ampliem o alcance e apoiem de forma prática o trabalho docente”, explica Jefferson.

As demandas apresentadas pelos educadores para os ciclos formativos são tema de muito diálogo. “De modo a apoiar o fazer docente e fortalecer a relação entre teoria e prática, o iungo tem disponibilizado materiais customizados que acompanham cada etapa da formação. Esses materiais são acessíveis por meio de plataformas digitais como o Google Classroom e o Padlet, possibilitando que os educadores acessem conteúdos, sugestões de práticas e recursos complementares de forma dinâmica e contínua”, complementa o formador.
Dinâmica da formação remota síncrona
Em Roraima, os educadores se reúnem presencialmente nas respectivas escolas onde trabalham. A participação de um formador da rede de ensino e formadores do iungo se dá ao mesmo tempo, ou seja, de forma síncrona. Os professores compartilham dúvidas, leituras e roteiros de estudos em um padlet criado para o encontro. “Esse primeiro momento garante que todos os educadores tenham acesso a referências comuns, criando uma base conceitual alinhada para o trabalho nas escolas. O segundo passo é de planejamento. Cada escola organiza seu próprio encontro presencial, mediado pelo(a) coordenador(a) pedagógico(a), para leitura guiada do material e seleção de metodologias para prática em sala de aula”, informa Jefferson.

As ações formativas têm repercutido positivamente entre os professores e formadores locais. “Os dados coletados por meio dos instrumentos de avaliação demonstram que mais de 90% dos professores se sentem satisfeitos com a formação e mais preparados para atuar como docentes do Ensino Médio. Esse resultado expressa não apenas a qualidade dos conteúdos e metodologias propostas, mas também a pertinência dos temas abordados e o cuidado com o formato acessível e prático”, diz Jefferson.
Os relatos de práticas dos docentes também reforçam a relevância do papel da escola no desenvolvimento integral dos estudantes, considerando sua territorialidade e identidade para promover aprendizados significativos. “Para mim, enquanto formador, essa experiência tem sido extremamente enriquecedora. Atuar em parceria com o CEFORR e dialogar diretamente com os educadores da rede permite compreender os desafios e, ao mesmo tempo, celebrar os avanços concretos. Ver o conhecimento circulando, sendo apropriado e transformado em ação pedagógica — especialmente em contextos marcados por desafios estruturais — reforça a importância de um processo formativo centrado na escuta, na colaboração e na valorização das práticas docentes”, conclui Jefferson Meneses.
Professores roraimenses valorizam aprendizado contínuo

A professora Reila Santos saiu de Alto Taquari, em Mato Grosso, para estudar em Boa Vista (RR). Há mais de uma década na capital roraimense, ela leciona Ciências no Ensino Fundamental II e Biologia para alunos do Ensino Médio, na Escola Estadual de Tempo Integral Ayrton Senna. Ela observa que a formação híbrida foi essencial para alcançar mais professores. “Os anseios que tenho na capital do estado podem ser os mesmos que meu colega vivencia no interior. Logo, o que nos separa no modelo a distância é apenas a barreira física, mas a oportunidade de trocar experiências, conhecimento, sanar dúvidas é igualitária para todos”, avalia.
A docente ressalta também o aprendizado contínuo na profissão, que, assim como em outras áreas, passa por atualizações constantes. “A educação em si e a legislação da área passam por alterações periódicas. Portanto, a formação continuada beneficia a nós, educadores, que qualificamos o nosso conhecimento; e consequentemente, os alunos”, completa.
A parceria com o Amazonas e as formações híbridas
Nas escolas do Amazonas, a conectividade digital também é um desafio. “Diante dessa questão e da necessidade de conciliar agendas de professores distribuídos em um grande território, passamos a promover, junto com a Secretaria de Estado de Educação e Desporto Escolar do Amazonas (Seduc-AM), as webs formativas nos horários em que os professores estão dedicados para o planejamento docente, chamado de Hora de Trabalho Pedagógico (HTP)”, afirma Regina Tunes, articuladora do iungo.

Outras iniciativas em conjunto entre a rede de ensino amazonense e o iungo são as oficinas para o grupo de curriculistas da Seduc-AM, para a redação da nova proposta curricular da rede (de acordo com a Lei 14.945/24, que definiu as diretrizes para o Ensino Médio). “Também sistematizamos e organizamos o levantamento de demandas formativas feitas pela Secretaria; colaboramos na escrita dos Itinerários Formativos de Aprofundamento (IFAs) em conexão com o programa Itinerários Amazônicos (IAM) e realizamos formações para professores do Ensino Médio sobre as novas diretrizes curriculares nacionais”, explica Regina.”
O formato proposto resultou em um aumento significativo das participações em atividades síncronas dos professores da rede de ensino. “Além disso, recebemos como feedback dos gestores um aumento no engajamento dos docentes nas atividades formativas realizadas presencialmente nas escolas. Chegamos a um formato híbrido que está fazendo muito sentido para as gestoras e professoras da rede de ensino do Amazonas”, conta a articuladora.
Educação a distância não precisa ser sinônimo de aprendizado sem troca entre pares. Acompanhe mais sobre o trabalho do iungo nas nossas redes sociais.