Educação para o Meio Ambiente, Sustentabilidade e Clima: professores já podem acessar os novos materiais pedagógicos no site do programa Itinerários Amazônicos

Materiais gratuitos reúnem 50 cadernos para professores e estudantes, com percursos de aprendizagem do 6º ano do Ensino Fundamental à 3ª série do Ensino Médio.

As mudanças climáticas e os desafios socioambientais reforçam a importância de uma educação ambiental comprometida com a formação cidadã de crianças, adolescentes e jovens. Isso significa ajudá-los a compreender as relações entre sociedade e meio ambiente. Também envolve reconhecer seu papel diante das questões que atravessam seus territórios, tomar decisões conscientes e participar da construção de soluções para desafios locais e globais.

Para apoiar esse trabalho nas escolas, os Cadernos de Educação para o Meio Ambiente, Sustentabilidade e Clima passam a integrar a plataforma do Itinerários Amazônicos. A partir de agora, educadores de todo o Brasil podem acessar gratuitamente os materiais. Além disso, a plataforma reúne conteúdos pedagógicos das diferentes áreas do conhecimento.

São 50 cadernos, que totalizam 1.792 páginas e correspondem a 280 horas de situações de aprendizagem. Os materiais contemplam jornadas do 6º ao 9º ano do Ensino Fundamental e da 1ª à 3ª série do Ensino Médio. Para facilitar a consulta e o uso pelos professores, cada volume anual reúne os conteúdos desenvolvidos para aquele ano ou série.

 

Uma política pública construída a partir do território

Os cadernos foram desenvolvidos no contexto da implementação da Política de Educação Formal para o Meio Ambiente, Sustentabilidade e Clima do Estado do Pará, instituída pela Lei nº 9.981/2023. A legislação criou um componente curricular específico para o tema. Também estabeleceu como objetivo formar cidadãos conscientes e críticos, capazes de participar individual e coletivamente da construção de práticas ambientalmente sustentáveis

Nesse contexto, desde 2023, a parceria entre o Instituto iungo e a Secretaria de Estado de Educação do Pará (Seduc-PA) articula a produção de materiais pedagógicos e a formação continuada de educadores. Dessa forma, contribui para transformar as diretrizes da política pública em práticas concretas nas escolas.

A iniciativa propõe uma jornada curricular progressiva, alinhada à política educacional da rede estadual. Ao mesmo tempo, dialoga com práticas e projetos de educação ambiental já desenvolvidos nas escolas.

Uma construção coletiva

 

O material foi desenvolvido entre 2023 e 2025 e envolveu 65 profissionais, entre educadores, redatores, editores e especialistas temáticos, incluindo representantes da rede estadual de ensino do Pará.

Essa diversidade reuniu conhecimentos sobre educação ambiental e climática, educação integral e práticas pedagógicas comprometidas com uma aprendizagem ativa. Além disso, permitiu articular diferentes experiências e perspectivas sobre os territórios e as realidades educacionais do estado.

O processo de produção dos cadernos também incluiu pesquisa documental, diálogo com o referencial curricular do estado e visitas a escolas de diferentes localidades paraenses. Essa aproximação ajudou as equipes a reconhecer práticas e potencialidades já presentes nas comunidades escolares. Com isso, foi possível construir uma proposta conectada aos contextos amazônicos.

Essa relação com o território aparece até mesmo nas capas dos cadernos. Elas apresentam obras criadas por estudantes paraenses e selecionadas no concurso Cores do Futuro, realizado pela Seduc-PA, incorporando ao projeto gráfico as perspectivas dos jovens sobre biodiversidade, sustentabilidade e futuro.

Uma jornada de aprendizagem ao longo da Educação Básica

Ao longo dessa jornada, cada ano ou série aprofunda diferentes dimensões da educação ambiental. Entre as aprendizagens e temáticas trabalhadas nos cadernos, destacam-se: 

Anos Finais do Ensino Fundamental

  • 6º ano: compreender o meio ambiente, a sociobiodiversidade e o território onde se vive.
  • 7º ano: refletir sobre modos de vida, consumo e sustentabilidade no cotidiano.
  • 8º ano: analisar os impactos das ações humanas e discutir práticas mais sustentáveis.
  • 9º ano: investigar problemas socioambientais e desenvolver projetos de intervenção na escola e na comunidade.

Ensino Médio

  • 1ª série: compreender a biodiversidade amazônica e o diálogo entre ciência e saberes tradicionais.
  • 2ª série: analisar as mudanças climáticas, seus impactos e possibilidades de enfrentamento.
  • 3ª série: discutir as relações entre economia, desenvolvimento e sustentabilidade.

Os Cadernos do Professor apresentam propostas detalhadas de situações de aprendizagem para serem trabalhadas nas salas de aula. Elas contemplam objetivos de aprendizagem, detalhamento conceituais, sugestões de mediação, estratégias metodológicas e propostas de avaliação.

A arte também atravessa os percursos como estratégia para engajar os estudantes, construir e compartilhar conhecimentos e ampliar as formas de expressão e reflexão sobre as questões socioambientais. Ao explicitar a intencionalidade pedagógica das propostas, os materiais apoiam o planejamento e contribuem para o desenvolvimento profissional docente. 

Já os Cadernos do Estudante reúnem conteúdos para leitura e aprofundamento das aprendizagens, espaços de registro, orientações para a realização de pesquisas, entrevistas, atividades práticas, produções artísticas, projetos e propostas de intervenção na realidade em perspectiva cidadã. São percursos comprometidos com  abordagens investigativas, com a interdisciplinaridade e com o protagonismo estudantil, aproximando as vivências escolares dos desafios ambientais contemporâneos e das realidades dos territórios.

Impacto na sala de aula

 

O professor de Biologia e Educação Ambiental Erinaldo Silva encontrou nos cadernos uma oportunidade de conectar os conhecimentos científicos aos saberes compartilhados pelas famílias e comunidades de seus estudantes.

Inspirado pelo conteúdo “Guardiões da biodiversidade”, ele desenvolveu com turmas do Ensino Médio o projeto Biodiversidade amazônica em forma de lenda, articulando narrativas do folclore amazônico a conceitos da Biologia:

“No caderno de Educação Ambiental, na unidade sobre os guardiões da biodiversidade, surgiu a ideia de trabalhar as lendas que os alunos ouviam em casa. Estudamos personagens como Iara, Boitatá, Vitória-Régia e Cobra Grande e usamos essas histórias para discutir conceitos da Biologia e a importância da preservação ambiental. Os estudantes relacionaram as narrativas aos rios, aos peixes da região e aos impactos das mudanças climáticas. Foi uma forma de unir saberes tradicionais e conhecimento científico, mostrando que as lendas também ensinam sobre conservar a floresta e cuidar do território.”

A experiência demonstra como os cadernos podem ganhar novos sentidos a partir da autoria dos professores. Ao adaptar as propostas à realidade dos estudantes, o educador transforma o material em ponto de partida para investigações, projetos e aprendizagens conectadas à vida da comunidade.

Um acervo integrado para apoiar os educadores

Com a disponibilização na plataforma do Itinerários Amazônicos, os cadernos de Educação Ambiental e Climática passam a integrar um acervo que já reúne materiais pedagógicos  para as áreas de Linguagens, Matemática, Ciências da Natureza, Ciências Humanas e Sociais Aplicadas, além de Projetos de Vida e Educação Profissional e Tecnológica.

Acesse gratuitamente a plataforma do Itinerários Amazônicos, conheça os Cadernos de Educação para o Meio Ambiente, Sustentabilidade e Clima e explore os demais materiais disponíveis para apoiar o planejamento e as práticas pedagógicas.

 

 

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