Por Paulo Emílio Andrade*
Hoje não é dia de #tbt, mas não posso deixar de lembrar que, há 20 anos, realizava uma pesquisa de mestrado em que acompanhei trajetórias de jovens da cidade de Belo Horizonte. Já naquela época, grandes nomes dos estudos de juventude, como Marília Spósito, Juarez Dayrell e Paulo Carrano, indicavam que a juventude tem valor em si mesma, ou seja, é uma fase importante da vida, sendo muito mais do que uma passagem para a vida adulta. E, também, reforçavam a necessidade de perceber que há várias formas de ser jovem e de viver a juventude. Daí, juventudes, no plural.
O dia 12 de julho foi escolhido pelas Nações Unidas para celebrar os jovens de todo o mundo. Assim, essa data reforça um conjunto de entendimentos relacionados aos valores, atitudes, potenciais e direitos que fazem da juventude um momento essencial para eles próprios e para a sociedade como um todo. Esse momento da vida chega cercado por grandes descobertas, dilemas sobre o presente e dúvidas sobre o futuro. Também é muitas vezes marcado pelo interesse em pertencer a um grupo, de experimentar o novo, de aprofundar conhecimentos, de deixar marcas no mundo e de ampliar a autonomia em relação ao mundo adulto.
Para evitar que tenhamos um olhar uniformizante sobre os jovens, é preciso problematizar: viver a juventude em um grande centro urbano é o mesmo que viver em uma cidade no interior ou em uma comunidade ribeirinha? Um jovem branco e um jovem negro, homens e mulheres têm experiências semelhantes? Os que podem se dedicar exclusivamente aos estudos vivem a sua juventude do mesmo modo que aqueles que precisam trabalhar para contribuir com a renda familiar? Não, claro que não. As desigualdades, os preconceitos de raça e de gênero, além de outros aspectos que permeiam a nossa sociedade, acabam interferindo diretamente na vivência juvenil.
Nesse sentido é que entendo a escola como espaço social importante para que os jovens possam, por exemplo, acessar e construir conhecimentos, ampliar horizontes de interesse, interagir de forma positiva com outros jovens, construir sonhos e se fortalecer para lidar com os desafios de suas vidas no presente e no futuro. E, assim, se reconhecer e serem reconhecidos como agentes importantes de transformação de si mesmos e de seus contextos: sua escola, família e comunidade.
Este artigo foi publicado originalmente no portal da Itatiaia
*Paulo Emílio Andrade é presidente do Instituto iungo, organização sem fins lucrativos que tem o propósito de transformar, com os professores, a educação no Brasil. É mestre em educação pela UFMG e doutor em Educação pela USP.