Uma carta a quem ensina

Homenagens das cinco regiões do Brasil se encontram em uma carta de reconhecimento ao trabalho de quem ensina.

 

 

 

Queridas professoras, queridos professores,

 

“Foi Zélia quem me ensinou a ser mulher preta.”

Janete Borges escreveu essas palavras ao homenagear a professora Zélia Amador de Deus, da Universidade Federal do Pará (UFPA) , em Belém (PA). Nas conversas, nos exemplos e nos relatos da professora, aprendeu “a lutar com as armas da intelectualidade”. Hoje, compartilha esses ensinamentos com os filhos.

A lembrança de Janete nos aproxima do que significa aprender com vocês: encontrar conhecimentos para compreender quem somos, olhar para nossas experiências com outras perspectivas e construir caminhos. Para ela, esse aprendizado está ligado à sua identidade como mulher preta e continua nas relações com as novas gerações. 

Neste Mês dos Professores 2026, nós, do Instituto iungo, reunimos algumas homenagens da nossa campanha anual de valorização docente para escrever esta carta a vocês. Nessas memórias, reconhecemos o conhecimento, a escuta e as escolhas pedagógicas que tornam tantas descobertas possíveis. Nosso agradecimento se estende a todos os professores brasileiros: todos nós carregamos, no que sabemos e na maneira como vemos o mundo, o trabalho de cada um de vocês. 

O que seus estudantes levam consigo

Vocês conhecem o desafio de ensinar uma turma em que cada estudante chega com experiências, conhecimentos e necessidades diferentes. É preciso conhecer esses percursos e planejar formas de apoiar a aprendizagem de cada estudante. Um trabalho que aparece, com afeto, nas lembranças dos primeiros anos de escola. Na homenagem registrada em Ribeirão Cascalheira (MT), Jaciana Zanelatto de Lima conta que tinha seis anos quando entrou na primeira série e encontrou colegas mais adiantados. Da professora Janice Baby, recorda a paciência para alfabetizá-la: “Guardo em meu coração”. Embora não se vejam há muitos anos e Janice hoje more em Florianópolis, segundo Jaciana, aquele começo continua vivo na memória.

Já em Sabará (MG), Ricardo Quaresma lembra de ter chegado à escola aos sete anos, já alfabetizado. Com sua primeira professora, Rute Isabel Silva, encontrou oportunidades para desenvolver a confiança em seu potencial, aprender a respeitar as pessoas e cultivar um novo interesse: “O gosto pela leitura veio por ela”. Nas palavras de Jaciana e Ricardo, a alfabetização e o gosto pelos livros vêm acompanhados do nome de quem lhes ensinou. Anos depois, ao escreverem às suas professoras, eles devolvem algo que esta carta também deseja fazer chegar a vocês: o reconhecimento de que seu trabalho continua presente no que as pessoas aprendem, apreciam e levam para a vida. 

Vocês também marcam quem escolhe ensinar

Em Florianópolis (SC), Lara Maringoni Guimarães encontrou na paixão de Ana Carina Baron Engerroff pela língua portuguesa um caminho para sua escolha profissional. Cursou Letras e tornou-se professora. Hoje, escreve: “Às vezes vejo nos meus alunos os mesmos olhares com que eu olhava pra ela e penso que escolhi certo”.

Em Cametá (PA), Elizangela Damasceno cresceu vendo a mãe, a professora Terezinha de Jesus Cardoso Damasceno, preparar atividades à luz de uma lamparina. O que despertou seu desejo de ensinar foi a alegria da mãe com a profissão. Após 28 anos na educação, conta: “A lamparina que clareava os cadernos da minha mãe acendeu em mim uma luz que nunca mais se apagou”.

Essas histórias mostram como o trabalho de vocês pode inspirar novos professores. Reconhecer esse legado é também assegurar condições para que ensinar seja uma escolha apoiada e valorizada ao longo de toda a carreira.

A memória encontra vocês mesmo à distância

“Obrigada por acreditar em nós.” De Peixoto de Azevedo (MT), Yldeanny Martins escreveu essas palavras à professora Luísa Neta, que atua em Formosa da Serra Negra (MA). Na homenagem, agradece pelos ensinamentos, pelos conselhos e pelo apoio nos momentos difíceis. Mesmo em outro estado, leva consigo a confiança recebida e reconhece sua importância na própria trajetória.

A mensagem de Yldeanny torna visível algo que queremos afirmar nesta carta: o trabalho de vocês é decisivo para a aprendizagem, e valorizar os professores é fundamental para a educação. O incentivo que permanece na memória faz parte de uma prática construída com conhecimento, dedicação e intencionalidade. Valorizar a docência significa garantir o apoio necessário para que vocês possam exercer esse trabalho e ampliar as possibilidades dos estudantes.

Cartas para quem ensina: uma correspondência audiovisual entre educadores

Luísa também encontra no trabalho de uma colega motivos para escrever. Na série “Cartas para quem ensina”, uma correspondência audiovisual entre professores de diferentes regiões do Brasil, ela dirige sua carta a Shirley Mello, de Castanheira (MT).

Ao conhecer a trajetória de Shirley, ela percebe uma preocupação que orienta suas próprias aulas: valorizar o lugar onde os estudantes vivem. Professora de História e Geografia e participante do programa Itinerários Amazônicos, Luísa aproxima sua experiência das escolhas de outra educadora. Do carinho recebido de uma aluna ao reconhecimento dirigido a uma colega, sua história conecta as homenagens do

Professoras Luísa Neta, de Formosa da Serra Negra (MA), no topo à direita, e Shirley Mello, de Castanheira (MT), participantes da série “Cartas para quem ensina”.

Mapa da Transformação às cartas da série.

É também com vocês, professores, na escuta de suas experiências e na construção de oportunidades de desenvolvimento profissional, que o iungo busca realizar seu propósito de transformar, com os professores, a educação do Brasil. Esse compromisso orienta nosso trabalho com a formação continuada. A colaboração com as redes de ensino acompanha o reconhecimento presente nesta carta.  Ao reunir essas vozes, queremos que a gratidão por cada encontro ajude a ampliar o compromisso com toda a profissão docente.

A vocês, nosso reconhecimento e nosso compromisso. A toda a sociedade, um convite:

Lembrar quem nos ensinou. Uma memória pode se tornar homenagem no Mapa da Transformação.

Reconhecer a profissão que transforma trajetórias. Na série “Cartas para quem ensina”, esse reconhecimento ganha voz entre professores.

Valorizar os professores todos os dias. Os cartões das homenagens e os materiais disponíveis no site podem levar essa mensagem mais longe.

Com carinho e reconhecimento,
Instituto iungo

 

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