EntrePares reúne educadores de Carmo do Paranaíba em formação e palestra sobre docência

Programação do Instituto iungo mobilizou cerca de 230 profissionais da rede municipal e estadual em torno da colaboração entre professores, formação continuada e reflexões sobre o que faz um bom professor.

Em uma das dinâmicas realizadas na última semana de maio durante a formação do programa EntrePares em Carmo do Paranaíba (MG), professoras e professores foram convidadas a escolher um objeto que representasse sua trajetória na educação. Alguns seguravam chaves. Outras, fotografias, canetas, cadernos ou pequenos objetos pessoais. Enquanto apresentavam suas escolhas ao grupo, histórias de acolhimento, desafios, permanência e transformação começaram a surgir.

A atividade, inspirada na série de fotografias “Aceita”, do artista Moisés Patrício, acabou produzindo uma imagem simbólica do próprio encontro: educadores compartilhando experiências,

Acervo iungo

escutando uns aos outros e construindo sentidos coletivamente a partir de suas trajetórias.

A cena ajuda a compreender uma das propostas centrais do EntrePares: fortalecer a formação continuada a partir da colaboração entre educadores e da criação de comunidades de aprendizagem dentro das redes públicas de ensino. No contexto do programa, essas comunidades funcionam como espaços permanentes de troca, escuta e construção conjunta entre professores, gestoras e equipes pedagógicas, conectando profissionais que compartilham desafios semelhantes e estimulando a circulação de experiências, práticas e soluções construídas coletivamente no cotidiano escolar. 

Realizado por meio da parceria entre o Instituto iungo e a Secretaria Municipal de Educação, Cultura, Esporte e Lazer de Carmo do Paranaíba, com investimentos da Vivir Café e da Veloso Green Coffee, o programa reúne mentoras, gestoras e profissionais da rede municipal em uma jornada formativa construída a partir da escuta, da troca e da prática compartilhada.

Formação como construção coletiva

Ao longo do encontro presencial, as participantes trabalharam os diferentes papéis previstos na metodologia do programa, especialmente as funções das mentoras, gestoras e orientadoras de comunidade de aprendizagem. As atividades abordaram temas como acolhimento, escuta, mediação e construção coletiva nos processos formativos. A programação foi estruturada em experiências práticas e colaborativas. Em um dos momentos, grupos receberam cartas que provocavam reflexões sobre desafios cotidianos da escola, relações entre educadores, processos de aprendizagem e construção de vínculos.

Para Janaína Pereira de Jesus, professora dos Anos Iniciais do Ensino Fundamental e mentora do programa, esse formato altera a própria experiência da formação docente.

 

“O que mais me chama atenção é a humanização do programa. Essa articulação entre profissionalismo e humanidade é algo que eu sempre esperei para a carreira docente. Não é uma mentoria apenas teórica, é uma mentoria prática, construída na vivência.”

Acervo iungo

Mesmo ainda no início da implementação, ela afirma já perceber mudanças concretas na própria prática pedagógica.

“Já comecei a aplicar elementos da metodologia nas minhas aulas, como sensibilização, investigação, troca de experiências e momentos de fechamento.”

A percepção de fortalecimento coletivo também fica nítida na forma como os profissionais da rede de ensino falam sobre o programa. Para Nisley Ramos Fernandes Mendes, ponto focal entre o iungo e a rede de ensino de Carmo do Paranaíba, um dos principais movimentos produzidos até aqui foi justamente a mobilização da própria rede de ensino em torno da formação continuada e da colaboração entre educadores.

“É uma prática inovadora, que vem potencializando as equipes, fortalecendo as mentoras e ampliando os impactos para as escolas, estudantes e demais professores da rede de ensino.”

A ideia de construir relações permanentes de aprendizagem entre profissionais foi um destaque entre os representantes da Secretaria Municipal de Educação. Ao longo do encontro, a percepção compartilhada entre participantes e gestão era de que fortalecer a educação pública passa também por fortalecer os vínculos, a escuta e a circulação de experiências dentro da própria rede pública.

“O que é ser um bom professor?”

Após um dia de formação voltado às equipes participantes do EntrePares, a última semana de maio foi encerrada com uma programação ampliada para toda a rede municipal e estadual de ensino. O encontro reuniu cerca de 230 participantes entre professores, gestores e profissionais da educação marcando um momento de abertura e diálogo mais amplo com a comunidade escolar, ampliando discussões que já vinham sendo trabalhadas ao longo das formações realizadas durante o dia. 

Antes da palestra, o público participou da experiência sensível “Memória afetiva do meu professor”, conduzida por Maria Lívia Andrade, formadora do iungo. A atividade convidou os participantes a revisitarem lembranças de educadores que marcaram suas trajetórias pessoais e escolares. Ao som de Força Estranha, professores compartilharam histórias de acolhimento, incentivo, cuidado e transformação vividas dentro da escola.

Ao abrir a programação, a secretária de Educação Fernanda Martins Vargas destacou que a expectativa da rede de ensino para o encontro estava ligada justamente à valorização humana da docência.

Na foto, a partir da esq.: Paulo Andrade, presidente do iungo; Maria Lívia de Castro Andrade, formadora no iungo; Fernanda Martins Vargas, secretária de Educação de Carmo do Paranaíba, Lucas Mendes, prefeito do Município; e Tailze Melo, formadora do iungo de referência para o território.
Acervo iungo

“Existe uma diferença entre ser professor e ser um bom professor. Queremos incentivar nossos professores a construírem memórias afetivas e experiências significativas na vida dos estudantes.”

Na sequência, Paulo Andrade, presidente do iungo, conduziu a palestra “O que é ser um bom professor?”. A conversa foi construída a partir de uma pesquisa desenvolvida por Paulo sobre a forma como os próprios educadores brasileiros percebem a profissão docente e os sentidos atribuídos ao “bom professor”. Ao longo da fala, ele destacou elementos que aparecem de forma recorrente nos relatos dos educadores: professores marcantes são aqueles que conseguem construir relações de confiança, incentivar trajetórias, reconhecer singularidades e produzir pertencimento dentro da escola. A palestra também chamou atenção para o papel humano da docência e para a importância de valorizar dimensões como empatia, escuta, compromisso e capacidade de inspirar, reforçando a ideia de que ensinar vai além da transmissão de conteúdo.

 

“O professor ocupa um lugar estratégico na construção de relações mais humanas, democráticas e inclusivas dentro da escola.”

Ao final da programação, uma percepção parecia atravessar as diferentes experiências compartilhadas ao longo do dia: fortalecer a educação pública também significa fortalecer os vínculos entre os próprios educadores.

 

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