É comum que a aprendizagem seja analisada sob a perspectiva dos estudantes. Quando esse olhar se amplia, as evidências reforçam o papel central dos educadores. Estudos indicam que cerca de 60% dos resultados educacionais estão relacionados à atuação dos professores.*
Se a aprendizagem passa pelo professor, então fortalecer quem ensina deixa de ser uma estratégia complementar e passa a ser uma escolha estrutural. É nesse ponto que a formação continuada ganha centralidade, não como um evento pontual, mas como parte constitutiva da prática educativa e do planejamento das redes de ensino.
Nos últimos anos, pesquisas sobre desenvolvimento profissional docente vêm consolidando um outro consenso importante: professores aprendem melhor quando aprendem juntos.** Modelos baseados na colaboração entre pares — como mentorias, espaços estruturados para troca de experiências e comunidades de aprendizagem — têm se mostrado mais eficazes para promover mudanças reais no ensino do que formações pontuais e descoladas da realidade da escola.
Os estudos também indicam que essas formações só geram impacto quando estão conectadas ao cotidiano escolar, ou seja, quando os professores refletem sobre desafios concretos da sala de aula, analisam evidências de aprendizagem e constroem soluções de forma coletiva.

O que faz a diferença na formação docente?
- Conexão com desafios reais da sala de aula
- Análise de evidências de aprendizagem dos estudantes
- Espaços de troca e construção coletiva entre professores
- Continuidade ao longo do tempo, e não ações pontuais
Quando esses elementos estão presentes, a formação acontece no fluxo do trabalho docente, e não à margem dele.
No iungo, esse é um princípio de atuação. Nossa abordagem parte da compreensão de que o desenvolvimento profissional de educadores precisa ser tratado como prioridade na agenda educacional, com base em evidências e em diálogo constante com as redes de ensino.
Como expressa nossa Teoria da Mudança, fortalecer a formação continuada é um caminho para viabilizar políticas públicas de forma sustentável, valorizar a docência e, sobretudo, promover o desenvolvimento integral dos estudantes .
Mais do que realizar formações gratuitas para os educadores, o iungo atua na construção de soluções estruturadas, que articulam assessoria técnica, produção de conhecimento e implementação de programas em parceria com redes públicas de ensino.
Desde 2020, o Instituto já impactou diretamente mais de 356 mil educadores, por meio de mais de 1.200 ações formativas, alcançando potencialmente 5,6 milhões de estudantes em diferentes regiões do país .
Mais do que números, esse percurso revela um ponto importante: é possível sustentar, ao longo do tempo, um modelo formativo colaborativo e conectado ao território em larga escala.
Formação continuada, território, equidade e currículo
A formação docente ganha potência quando se conecta ao território e às políticas públicas. No iungo, essa integração se materializa em um conjunto articulado de programas e iniciativas que combinam formação continuada, produção de materiais pedagógicos e apoio às redes públicas de ensino.
Em 2025, essa atuação se expressou em diferentes frentes complementares. O Nosso Ensino Médio oferece trilhas formativas auto instrucionais, ciclos formativos e assessoria pedagógica, apoiando redes na implementação e qualificação do Ensino Médio com materiais 100% atualizados. Já o EntrePares estrutura a aprendizagem entre professores como estratégia perene, organizando espaços contínuos de troca conectados aos desafios reais da escola. O programa Itinerários Amazônicos, por sua vez, articula currículo, território e sustentabilidade, integrando saberes locais e agendas contemporâneas, como clima e desenvolvimento sustentável.
Entre os destaques do iungo em 2025, estão os cursos Cartografias, que ampliam repertórios para o trabalho com projetos de vida, o planejamento de aulas sobre a temática e sua articulação com a Educação para as relações étnico-raciais, fortalecendo a formação integral dos estudantes. Enquanto isso, iniciativas como Arte: na escola e na vida expandem as possibilidades pedagógicas a partir das linguagens artísticas, conectando sensibilidade, expressão e aprendizagem.
Em 2025, essa atuação alcançou:
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Foto: Alexandre Rezende – Nitro / Acervo iungo 21.937 educadores em ações de formação continuada
- 327 ações formativas realizadas
- 11 redes públicas parceiras
- 1,8 milhão de estudantes potencialmente impactados
Esse conjunto de iniciativas evidencia uma atuação que articula currículo, prática pedagógica e contexto local, contribuindo para que a formação continuada se traduza em mudanças consistentes na escola e no fortalecimento das políticas públicas educacionais.
O que essas experiências apontam para o futuro da educação
As experiências do iungo apontam caminhos consistentes para a formação docente no Brasil:
- integração entre formação e prática
- valorização da colaboração entre professores
- conexão entre currículo e território
- fortalecimento da capacidade das redes públicas
Essa atuação evidencia que é possível estruturar políticas de formação continuada mais eficazes, conectadas à realidade das escolas e sustentáveis ao longo do tempo.
Para conhecer em profundidade essa atuação e seus resultados, acesse o Relatório Anual 2025 do iungo.
Fontes:
* INSTITUTO PENÍNSULA. Qualidade do professor impacta 60% o aprendizado dos alunos, revela estudo inédito do Instituto Península. Disponível em: https://www.institutopeninsula.org.br/qualidade-do-professor-impacta-60-o-aprendizado-dos-alunos-revela-estudo-inedito-do-instituto-peninsula/.
** Effective teacher professional development. Learning Policy Institute (Palo Alto, Califórnia) – Trabalho produzido a partir da revisão de 35 estudos realizados ao longo de 30 anos: https://learningpolicyinstitute.org/sites/default/files/product-files/Effective_Teacher_Professional_Development_BRIEF.pdf