Em São Luís (MA), trabalho com projetos de vida no Ensino Fundamental é destaque de novo programa

Programa Cartografias Fundamentais apoia educadores na construção de práticas que fortalecem a formação integral

Por que o trabalho com projetos de vida na escola precisa ser um foco nos Anos Finais do Ensino Fundamental? Como os professores podem contribuir com a construção de projetos de vida pelos alunos do 6º ao 9º ano? Essas são algumas das questões que mobilizam o novo programa Projetos de Vida na Escola: Cartografias Fundamentais, que começou suas atividades em 2026 junto à rede municipal de ensino de São Luís, capital do Maranhão. Entre os dias 15 e 16 de junho, representantes do Instituto iungo, realizador do programa, e os parceiros institucionais Porticus e Fundação Itaú estiveram no município para acompanhar os processos formativos junto aos professores e gestores escolares e participar de visita técnica a escolas da rede de ensino.

Acervo iungo

A visita reuniu Paulo Andrade, presidente do Instituto iungo, Renata Lazzarini Monaco, articuladora do iungo, e representantes das organizações parceiras: Luis Felipe Serrão Gerente Senior de Programas, no escritorio da America Latina da Porticus;  Priscila Costa, Gerente de Programas no setor de Educação da Porticus, Janaina Soares Gallo, analista de Desenvolvimento e Estudos da Fundação Itaú/ Itaú Social;  Mariana Henriques, responsável pelo acompanhamento do Edital de Fortalecimento da Educação Integral para os Anos Finais do Ensino Fundamental, e Monique Murad da Cunha, consultora de Monitoramento, Avaliação e Aprendizagem para a Porticus. Juntos, visitaram a Escola Artur Nabantino Gonçalves de Azevedo e acompanharam a formação de professores de Arte e Filosofia e Professores de Suporte Pedagógico (coordenadores nas escolas).

 O grupo também se reuniu com lideranças da Secretaria Municipal de Educação de São Luís (SEMED): Anna Caroline Marques Pinheiro Salgado, secretária Municipal de Educação; Rebeca Azevedo, secretária adjunta; Sandreliza Motta, coordenadora do Centro de Treinamento; e Patrícia Caldas, assistente técnica pedagógica. O que se constrói em São Luís não é uma proposta pronta levada ao território, mas um percurso formativo compartilhado entre a rede municipal de ensino, seus educadores e os parceiros da iniciativa. Um processo que reconhece os saberes locais, dialoga com as demandas reais das escolas e busca fortalecer práticas que façam sentido para a vida dos estudantes.

Projetos de vida e formação integral 

Projetos de vida são construções permanentes que ajudam crianças, adolescentes e jovens a atribuir sentido às próprias trajetórias. Envolvem o conhecimento de si, a relação com o outro e com o território, a capacidade de fazer escolhas alinhadas a valores e a construção de objetivos que integrem as dimensões pessoal, social e profissional da vida. Nesse percurso, a escola tem papel fundamental ao criar oportunidades para que os estudantes reflitam sobre quem são, o que desejam e como podem contribuir para o mundo em que vivem. 

É nessa perspectiva que o programa Cartografias Fundamentais apoia educadores da rede de ensino de São Luís: para fortalecer práticas pedagógicas que dialoguem com o cotidiano, os territórios, as trajetórias dos estudantes e seus projetos de vida. A proposta articula projetos de vida, Educação para as Relações Étnico-Raciais (ERER) e multiletramentos, reconhecendo que as experiências,

identidades e contextos dos adolescentes são elementos centrais para a construção de aprendizagens mais significativas.

Como os projetos de vida na escola chegaram à rede municipal

O Projetos de Vida na Escola: Cartografias Fundamentais foi selecionado em 2025, entre mais de 130 organizações inscritas, no Edital de Fortalecimento da Educação Integral para os Anos Finais do Ensino Fundamental, iniciativa da Fundação Itaú, da Fundação Lemann e da Porticus. A proposta apoia redes de ensino na construção de percursos formativos voltados aos projetos de vida dos estudantes, articulando formação docente, desenvolvimento integral e fortalecimento das capacidades das redes de ensino para a implementação de práticas pedagógicas conectadas às realidades dos territórios.

A rede municipal de ensino de São Luís tornou-se a primeira a implementar o Projetos de Vida na Escola: Cartografias Fundamentais. A construção do percurso formativo aconteceu em parceria com a Secretaria Municipal de Educação (SEMED) e teve como ponto de partida a análise das confluências entre o currículo da rede e a proposta do Programa. Também foi feita uma escuta sobre as iniciativas da rede para essa etapa de ensino e necessidades formativas dos professores. O resultado é uma formação que preserva os princípios metodológicos do Cartografias Fundamentais ao mesmo tempo em que dialoga com o contexto local e fortalece a capacidade da rede de ensino de desenvolver o trabalho com projetos de vida de forma consistente e sustentável. 

As formações acontecem por componente curricular, a cada dois meses, em formato de oficinas práticas com carga horária de 4 horas cada. O ciclo completo prevê 40 horas anuais e a parceria está estabelecida para três anos. Em São Luís, o percurso formativo envolve professores de Arte, Filosofia, História e Geografia, além dos Professores de Suporte Pedagógico (PSPs), que atuam na coordenação pedagógica das escolas. A proposta é apoiar esses profissionais na incorporação dos projetos de vida às práticas pedagógicas e às experiências de aprendizagem desenvolvidas com os estudantes.

Como os educadores fortalecem os projetos de vida na escola

Desde o início do programa, em março de 2025, centenas de professores passaram pelas formações. Os temas abordados até aqui ajudam a compreender como os educadores vêm sendo apoiados na tarefa de conectar currículo, território e experiências estudantis à construção dos projetos de vida. As discussões começaram pela compreensão do

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papel dos projetos de vida na formação integral dos estudantes e avançaram para como esse trabalho pode fortalecer os temas integradores do currículo da rede de ensino.  Mais recentemente, os encontros têm se dedicado a estratégias práticas para escutar os estudantes, compreender suas trajetórias e transformar essa escuta em ações pedagógicas concretas.

“Uma das contribuições mais importantes da formação foi mostrar como os projetos de vida podem estar presentes em diferentes componentes curriculares. Durante as atividades, conseguimos construir coletivamente propostas de intervenção para os estudantes e perceber que, mesmo em uma aula de Geografia, é possível falar sobre projetos de vida” Henrique Frazão, Professor de Suporte Pedagógico na rede pública de São Luís.

Os professores que têm participado das oficinas demonstram engajamento e abertura para o diálogo e construção. Um dos sinais mais significativos é justamente esse: educadores que chegam às formações não apenas para cumprir uma agenda, mas para pensar sobre a própria prática e construir novos horizontes junto com os colegas docentes.

“A formação tem contribuído bastante para a minha prática. Algumas coisas eu já realizava! Mas participar dos encontros tem ampliado meus conhecimentos e me levado a refletir mais sobre as ações que desenvolvo em sala de aula. O mais importante é perceber que trabalhar projetos de vida permite olhar para o estudante de forma integral, não apenas na dimensão da aprendizagem, mas também como alguém capaz de transformar a própria vida e o lugar onde vive.” Isabel Gomes, professora de História da rede municipal de São Luís. 

O que a parceria ajuda a sustentar

O investimento em programas como o Cartografias Fundamentais possibilita mais do que a realização de encontros formativos. Estão contribuindo para que as redes municipais de ensino sustentem, ao longo do tempo, uma política de formação continuada, fortalecendo o trabalho dos educadores e criando condições para que os projetos de vida sejam trabalhados de modo consistente no cotidiano das escolas.

O programa conta com um plano de monitoramento relacionados à compreensão qualificada sobre projetos de vida, à aplicabilidade das formações no cotidiano escolar e à autonomia das redes municipais na implementação curricular. A ideia é que a rede de ensino saia do processo com repertório e cultura para continuar esse percurso.

O Cartografias Fundamentais se insere em uma trajetória mais ampla do Instituto iungo no campo dos projetos de vida, construída desde 2020 por meio da formação de educadores, da colaboração com redes de ensino e da produção de referências pedagógicas sobre o tema. Ao longo desses anos, a organização vem aprofundando o debate sobre o que são projetos de vida e como trabalhá-los de forma integrada ao currículo. Também tem desenvolvido colaborações de sucesso com redes públicas de ensino, além de produzir, conteúdos que dialogam com temas fundamentais para esse trabalho, como identidade, pertencimento e Educação para as relações étnico-raciais. Nesse percurso, a parceria com a Secretaria Municipal de Educação de São Luís representa mais um passo importante para fortalecer práticas pedagógicas conectadas às realidades dos estudantes e à formação integral.

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Projetos de vida na escola: um caminho construído coletivamente

Para Sandreliza Mota, coordenadora do Centro de Formação da Secretaria Municipal de Educação de São Luís, os impactos já podem ser percebidos nas reflexões os educadores vem mobilizando: “Destaco especialmente o fortalecimento das reflexões sobre o protagonismo estudantil e o papel da escola na formação integral dos estudantes. A implementação tem incentivado educadores a olhar para além dos conteúdos curriculares, valorizando as histórias, os sonhos e as potencialidades dos alunos. Também têm sido muito importante perceber o envolvimento das equipes gestoras no apoio às ações desenvolvidas nas escolas”, afirma. 

Ao acompanhar a implementação em São Luís, os parceiros puderam observar não apenas uma formação em andamento, mas um processo de construção coletiva. Um processo que ainda tem desafios pela frente, que ajusta rotas quando necessário e que aposta na potência dos educadores de transformar o que aprendem em prática pedagógica real.

O percurso construído em parceria entre o Instituto iungo e a SEMED busca ir além da realização de encontros formativos. A proposta é apoiar os educadores na incorporação dos projetos de vida ao cotidiano escolar, fortalecendo práticas que contribuam para a formação integral dos estudantes.

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